A solidão é presente
nos móveis vazios da sala,
na mesa da cozinha
envolta de migalhas e pingos de leite.
A solidão é presente
nos passos que vibram no chão
no passar das radios em busca
de uma melodia
que talvez me toque.
Ponho-me a procurar
algo que me preencha,
mas na solidão da casa
não encontro.
Saio para comprar cigarro
e involuntariamente na volta
subo as escadas
e adentro
em um ambiente fechado
(a palavra arde: condominio)
para engolir fumaça.
Ajeito-me na area de serviço
disputando espaço
com roupas que preenchem
o ar.
Acendo tres vezes até conseguir
tragar a fumaça quente
que percorre meu corpo
até que se esvai
juntando-se com a neblina
que bate em meu rosto.
Apoiado na grade que existe
vejo-me como os presidiarios
que veêm o tempo passar
presos em um predio velho
tentando alcançar a liberdade,
com o braço segurando o cigarro
para o lado de fora.
Apago-o e coloco o cinzeiro
em cima do espelho do banheiro
e olho-me fixamente.
Observo como os pêlos tomam conta
da minha face
como o cabelo cresce com o tempo,
A mancha que aumenta ao redor
dos olhos
que lacrimejam sem saber o por que.
Talvez fraqueza de noites mal
dormidas
talvez querendo se fechar
para o mundo,
para mim.
A solidão é presente
em todos os cantos da casa
que habita pequenos insetos
e formigas inquietantes,
que levam comida para dentro de pequenos buracos.
Pego uma na mão e observo
seu andar inquieto,
guardo-a no bolso
talvez assim preencha meu vazio.
Deito-me na cama
olhando o branco do teto
ouvindo ao fundo o chiado
do radio.
Me ajeito entre lençois
amarrotados,
me encolho
e me cubro para aquecer
meu corpo frio.
Fecho os olhos ja secos
que agora adentram na escuridão
total
de um leito
que me tira
da realidade existente.
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