sábado, 28 de novembro de 2015

Um lembrete da poesia

Faz tempo que você não vem me visitar- disseram-me as palavras-
Afastou suas mãos do teclado, esqueceu no canto a caneta Bic, os papeis pautados...
Deixou podado as rasuras de pensamento, as linhas entrecruzadas, as setas de entendimento de um texto mal começado.
Como pode você não ter encontrado outro meio de dizer as coisas, e mesmo assim não ter regressado para nós..?
somos em vinte e seis, que tecemos mais de seis mil novecentos e doze idiomas e você não quis ganhar dez minutos do seu dia conosco?
Ah meu jovem, quanto tempo ficou com os ranços de um velho...tolhendo seu intimo.
Não queira dar as desculpas daqueles que não tem clareza...
a vida é tão límpida. tão explicita
mas diante de olhos foscos, nuvens carregadas, empecilhos - causam aquilo que, você sabe,
seu amigo já dissera e você não entendeu: há uma pedra no meio do caminho.
Meio do caminho. Caminho aos meios, foi até a metade, só caminhou no escuro
E não chegou a ver a beleza de não se ver nada.
Há na sua frente, nós.
Fazia tempo que não nos fazia uma visita.
O eterno retorno.
Retornando inteiro, meio lotado de tantos novos caminhos
a escrever novos rumos.
Na pena, que hoje é a carga
deixe de lado
O que não vale.