quinta-feira, 7 de julho de 2011

Poema para um dia frio

Quem é ela?
Que aponta por entre ruas e gentes
Tomada por cores e paixões
Exalando um sorriso, chegando atrasada,
(Com fome de tudo)
Seu nome é querer.

Quando surge a tarde
Que termina o dia, numa alegria
Demonstra viver.
Com a voz que canta
Uma melodia, sem querer saber nem mais ou por que

E assim o caminhar exala
O som do canto
Tomado pela brisa e os ventos
Que nem o mal dos piores tempos
Termina com o sim de um verdadeiro encanto

E canto junto com a voz que ecoa
A trilha sonora do eterno “a toa”
Nas esquinas, nas ruas, nos bares
Na vida, no eterno ir.
O sempre dura pouco
Tempo de sorrisos
(que amarelam)
Tempo de risadas
(que se apagam)
Tempo de lagrimas
(que secam)

Tempo de cantos...que ficam..

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Sorrisos numa tarde fria

. . . vel
. . . vel
. . . vel
. . . vel
v
é
u
vel . . .
vel . . .
vel . . .
vel . . .

corada

acorda
a corda
a cor da

dado . . .
. . . dado
. . . dado
dado . . .
. . . reta
r . . .
. . . dado

.
ponto
+
virgula
=
;

pinto o r
e viro pintor.

sábado, 9 de abril de 2011

Ausência Passageira

A solidão é presente
nos móveis vazios da sala,
na mesa da cozinha
envolta de migalhas e pingos de leite.
A solidão é presente
nos passos que vibram no chão
no passar das radios em busca
de uma melodia
que talvez me toque.
Ponho-me a procurar
algo que me preencha,
mas na solidão da casa
não encontro.
Saio para comprar cigarro
e involuntariamente na volta
subo as escadas
e adentro
em um ambiente fechado
(a palavra arde: condominio)
para engolir fumaça.
Ajeito-me na area de serviço
disputando espaço
com roupas que preenchem
o ar.
Acendo tres vezes até conseguir
tragar a fumaça quente
que percorre meu corpo
até que se esvai
juntando-se com a neblina
que bate em meu rosto.
Apoiado na grade que existe
vejo-me como os presidiarios
que veêm o tempo passar
presos em um predio velho
tentando alcançar a liberdade,
com o braço segurando o cigarro
para o lado de fora.
Apago-o e coloco o cinzeiro
em cima do espelho do banheiro
e olho-me fixamente.
Observo como os pêlos tomam conta
da minha face
como o cabelo cresce com o tempo,
A mancha que aumenta ao redor
dos olhos
que lacrimejam sem saber o por que.
Talvez fraqueza de noites mal
dormidas
talvez querendo se fechar
para o mundo,
para mim.
A solidão é presente
em todos os cantos da casa
que habita pequenos insetos
e formigas inquietantes,
que levam comida para dentro de pequenos buracos.
Pego uma na mão e observo
seu andar inquieto,
guardo-a no bolso
talvez assim preencha meu vazio.
Deito-me na cama
olhando o branco do teto
ouvindo ao fundo o chiado
do radio.
Me ajeito entre lençois
amarrotados,
me encolho
e me cubro para aquecer
meu corpo frio.
Fecho os olhos ja secos
que agora adentram na escuridão
total
de um leito
que me tira
da realidade existente.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A Gota da Dor

Um rio de lágrimas concretas
Derrama pelo rosto sentimentos
Multiplicados, misturados
Saturados de sal e dor.

Nao aguento mais guardar
A dor.
Ela sai, ela pulsa
Arde
Perde-se dentre tantos momentos
Unicos

Uma lágrima, uma lembrança, uma dor e uma saudade

Escondo-me, tranco a porta
Limpo a lágrima, como se limpasse a vida
Limpasse o que se é.

A vergonha de se espor
De mostrar amor
De ser humano

Camadas concretas
Racham-se ao longo do tempo
Afroxam-se e mostram-se frágeis

Será o tempo?
Experiência?
Maturidade?
Sera simplesmente saudade?
Ou o acumulo...

A flor da pele os sentimentos transbordam
Saindo pelo suor
Perdendo-se no banho
Voando com os sonhos
Enraizando-se com os anos

O tempo passa
A experiência ensina, abre-nos os olhos
Para o que é relevante
A maturidade vem com o valor da saudade
De casa, da família, da mãe

As pessoas são mais que pessoas
Os animais ganham novos valores oníricos
O beijo ganha um som
O corpo pede um abraço
As mãos um afago
E o corpo, colo.

Infantilidade? Talvez saudade...
De um tempo perdido
De uma infância roubada
Adolescência adulterada
Uma vida cristalizada

Voltar já não é mais possível
Perdoar? Dificil é me
Perdoar.
Sofrer não muda o que já foi.

Apenas a imaginação de pensar como teria sido
Como poderia ser diferente.
Cada um tem seu tempo
Que aparece em silêncio...
E quando vemos já se foi
Não aproveitamos.

Serve como aprendizado do que?
Da vida?
O que é essa vida? Amar , sofrer, ceder,
Matéria, sentimentos, ciência, fé?
Que sabemos sobre
Vida e sobre tempo...

Sobre o certo e o errado, nada sabemos
Vivemos, experenciamos
Idéias, momentos
Pessoas

Sentimos no corpo
Na carne, na alma, nos olhos
Que expurgam essas dores e
Angústias
Rio abaixo
Que no fim, caem do rosto
E
Explodem
No





Chão.

domingo, 3 de abril de 2011

Sistere

   Não era qualquer olhar, nem sequer um olhar importante. Aqueles olhos me atraiam, eles tinham uma história, eram olhos de saudade. Observava aquela cena como quem observa uma obra de arte, os detalhes, as mãos enrugadas seguram a face flácida não querendo mais ficar neste mundo, os cabelos meio ajeitados por pura vaidade,o pouco que ainda lhe resta, a roupa engomada parece-me que nunca foi tirada, com esforço consigo até mesmo sentir o odor, uma mistura de tempo e amor.
   Fui embora, voltei várias vezes e o olhar continuava ali, do mesmo jeito, vez ou outra as roupas se alteravam o cabelo ganhava um novo penteado, as unhas continuavam manchadas de esmalte, mas sua face nao mudava, e aquilo me intrigava. O que poderia ser, quem poderia ser, aonde olhavam aquelas pequenas esferas?
   Houve um dia que foi mais intenso, havia me seduzido, eu ali parado perdi a noção do tempo, estava eu e o olhar quase que frente a frente, eu já não ligava para mais nada, qualquer coisa seria banal perto da importância daquele brilho ofuscado, daquele momento preciso e foi assim nessa magia, nessa sedução que tudo se acabou, as mãos foram se desencaixando, o corpo tomando movimento, a face tornando-se mais fechada, mais intrigante, as mãos levemente arrumaram os cabelos e parecendo que estavam com frio, tocaram o vidro da janela fechando-a. Fechou-se tambem as cortinas.
   Acabou, escureceu, fechou. A partir daquele dia descia aquelas escadas de baixo de sol, de chuva e olhava aquele muro frio, uma cor de cimento somente com um unico detalhe, a janela de vidro com uma cortina salmão.
   Não era qualquer olhar, nem sequer um olhar importante, só sei que deles, agora eu me lembro em silêncio.

terça-feira, 8 de março de 2011

Fragmentos de um segundo

Nasci do corpo e dele herdei
A capacidade de ser escuro
Chorei e envermelhei
E tive a capacidade de vociferar
A garra, a fome, o vômito
Colocar pra fora
Mijar.
Cagar.
Comer.
Colocar pra dentro, do pensamento
Do corpo
O invisível, o subjetil
A cultura.
O artista vomita sua cultura
Apodrecida, mofada.
Estraga dentro dele e gospe.
Não existe mais o porquê
Existe um mundo enorme, maior do que a barriga
Do que as tripas gosmentas, ensangüentadas
Que vim, a custo pro mundo
Não quero, não, não, não, não, não!
Eu não quero mais
Voltar, quero voltar
Escuro, sombrio, afeto
O humano é podre e dele eu vim
E por que quero voltar pra dentro dele?
Gira, ponta-cabeça, turbulência
Tontura, visão escura, rapidez
Estomago embrulhado, suor escorrendo, dor
Estou confuso.
Água.
Respira.
Bebe, fuma.
Tum, Tum, Tum...como o tempo, coração não para
E o tempurá na panela e o tempo lá na janela
Querendo sair, querendo que eu vá
Não posso
Não vou, não devo, planos, metas, obrigações
O mundo chama, vem!
Não posso, não devo, me pediram!
E o vento sopra e eu aqui dentro, não do corpo, do quarto.
Por que hein?
Porque somos livres, nus, inteligentes, aventureiros
E voar não nos é permitido.
Andar, pular, voar não.
Quero voltar, não sei se devo, quero voltar pra dentro.
Mergulho para o lugar que era eu.
Eu, eu, eu, eu, eu, ego.
Sombras, silêncios e afetos.