sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Desencontro

Quanta fome jogada fora
No prato sujo de molho por um garfo torto
Quanta dor sentida dentro
Naquela tarde quente rasgada a carne pela faca
Quanta violencia surgida fora
Da casa quando encontramos o grande mundo
Quanto panico sofrido sempre que
Aparece a noite com suas vielas sem sombra
Quanta pressa dos dedos
Em dizer basta a tudo aquilo que nos prende
Quanta coisa que não passa
Sempre que queremos algo que não sabemos
Quanta vida perdida ao longo
De um velho tempo que surge sempre
Quanta vida ganhada agora
De um novo tempo que tarda a ir embora

Abraços de saudade
Mando a mim
Que foi embora numa tarde quente
Daquele dia
Foi embora assim como a fome
Que se satisfaz
Nunca mais verei aquela pessoa
Que convivi bons e velhos tempos
Coisas estranhas acontecem quando nascemos
As vezes me visita e ando com ele
Alguns passos
Converso algumas horas
Sento de perna cruzada olhando a noite
Sentindo saudade dele
Se um dia eu me encontrar comigo
Poderei entao responder a pergunta
Quem sou eu

Se um dia eu me encontrar comigo
Talvez fale vá embora
Para que assim eu continue vivo

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Fome de mim

Depois de leituras e de desenhos
Depois de vivencias e de desejos
A unha é roída por dentes afiados
E o instante dura
O ritual continua por minutos
E por dias e horas
Cada dedo uma lembrança, um medo
Cada unha cuspida ao chão uma lembrança jogada fora
Cada manha de tempos ruins, uma unha para ser comida
Um afago no ego
Um ato de conflito e de amor.
Uma mão calejada por dentes inquietos
A mão que vai a boca
Que quer adentrar ao intimo
Não sabe nada a não ser que vive
De rascunhos mal acabados de sentimentos indecisos.