Quanta fome jogada fora
No prato sujo de molho por um garfo torto
Quanta dor sentida dentro
Naquela tarde quente rasgada a carne pela faca
Quanta violencia surgida fora
Da casa quando encontramos o grande mundo
Quanto panico sofrido sempre que
Aparece a noite com suas vielas sem sombra
Quanta pressa dos dedos
Em dizer basta a tudo aquilo que nos prende
Quanta coisa que não passa
Sempre que queremos algo que não sabemos
Quanta vida perdida ao longo
De um velho tempo que surge sempre
Quanta vida ganhada agora
De um novo tempo que tarda a ir embora
Abraços de saudade
Mando a mim
Que foi embora numa tarde quente
Daquele dia
Foi embora assim como a fome
Que se satisfaz
Nunca mais verei aquela pessoa
Que convivi bons e velhos tempos
Coisas estranhas acontecem quando nascemos
As vezes me visita e ando com ele
Alguns passos
Converso algumas horas
Sento de perna cruzada olhando a noite
Sentindo saudade dele
Se um dia eu me encontrar comigo
Poderei entao responder a pergunta
Quem sou eu
Se um dia eu me encontrar comigo
Talvez fale vá embora
Para que assim eu continue vivo
Nenhum comentário:
Postar um comentário