terça-feira, 15 de outubro de 2013

Desabafo de uma dor.

" Aqueles que me tem muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia,
a dor à minha porta e nesse dia entrou..."


   Escrevo porque as palavras servem de um consolo para aquilo que é entalado em nossas angustias. Para aquilo que temos medo de dizer, para aquilo que não sabemos se é verdade, para tudo que é incógnita. A vida é tão cheia de mistérios, por vezes tão incompreendida, mas fatalmente ela é detentora de uma coisa que chama-se: Alegria. Sem a alegria de viver, do dia a dia, das relações, é impossível sobreviver por muito tempo (vai morrendo cada dia um pouco mais do que naturalmente já acontece...) Mas o tempo é que diz quanto tempo vamos sobreviver, independente de remédios, de alegrias, de cuidados, de amores, de amizades. O tempo leva e transpassa todas nossas expectativas. O que fazer então?

                                                        ...


   Triste ver o sorriso transformar-se em lágrimas, a certeza transformar-se em um labirinto, ver a pessoa perdida nas proprias convicções. E com isso observo-me frágil, vejo-me impotente quanto ao tempo, quanto a morte, quanto as doenças. Uma coisa é ser forte, outra coisa é ser realista. E a questão é que independente dos ideais, diante da morte, pedimos ajuda para um terreno que não seja esse planetinha chamado Terra. Qualquer que seja a fé, pedimos, mesmo que seja um simples "espero que fique tudo bem" jogado aos ventos pelo suspiro.
   Quem já passou por perdas, preocupa-se, a dor é grande. E com isso, só posso dizer aos ventos e a minha própria fé que lá vou eu incomodá-los. O caminho não vai ser fácil, a vida dá sustos. Mas sua coragem, que bem sei que é muita, é bem melhor do que as lágrimas que vi cair de seu rosto. Agora, minhas lágrimas escrevendo aqui, em breve espero com muito amor que sejam de alegria em te ver sorrir novamente

Sobre o amor, apesar.

Qual seria o peso dos meus amores?
No tecido, a pele, as linhas da memoria entrecruzadas em esquinas, cantos, buracos de meu corpo.
Meu corpo sedento de sol, de calor que não queima, mas brilha, que cultiva botões, de linha e de linho.
De ninho, a minha casa-corpo abriga o rio Nilo de águas suadas, suores, choros, pus, sêmens salivas, semeadas.
Qual seria o amor que pesa mais?
Caminho desviando dos pelos do corpo, assim como pingos de chuva, brotos crescentes,
remanescentes de um primitivismo, herança perceptível.
Evocação, proteção, sedução, criação.
Reproduzir os traços, riscados infinitamente pelos ruídos do viver.
naturalmente, viver pesa
bagagem, conteúdos diários de pesos inimagináveis, talvez peso de pluma quando em toneladas.
Meus conselhos misturam-se com minhas unhas sujas de terra,
escondi um pouco de futuro em algum chão que gritava por ajuda.
Sentir o corpo, sofrer um pouco...
Qual seria?
Se fosse o amor visível, escureceria quando em pé, todos os cantos de nossos corpos
mas deitado, clareia, por deixar brilhar quem é feito de sol
Amor é para ser horizontal.
Mas pesa.
Todo tecido quando muito, pesa.
Toda ingenuidade, quando muito, ama
(sobre nós)

Soube hoje, que não carrego todo o peso do mundo
mas uma partícula do amor.