sábado, 31 de julho de 2010

Fecham-se as cortinas

Jogando com o pensamento
Correndo e sentindo na face
O barulho do vento
E na chuva
Lavando a alma, me corre no corpo gotas delicadas
Pego-as na mão e jogo-as novamente para o céu
Para que voltem.
E não fiquem aqui nesse corpo que não pertence a elas
Voltem...
Voltem de onde vieram
Não lavem esse mundo,
Ele não é digno de ser lavado
E de sua dança por entre as rupturas do solo,
Caminhos da rua,
Curvas do corpo.
Voltem e observem lá de cima
Nossa clemência,
Nossa fraqueza e nosso choro.
E depois vão embora e nos deixe aqui.
Levem tudo.
As nuvens,
O sol e também a lua.
Não iluminem esse espaço
Deixem-nos no breu
Perdidos,
Cegos de luz
Cegos de vida
E não olhem pra trás e nem escutem
Os gritos
As brigas
As mortes
O sangue.
Riam, batam palmas
Para o maior espetáculo
De milhões de palhaços reunidos!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Secar

Como o cacto, a seca fere.
a seca machuca.
Dentre tantas areias secas,
de chão rachado,
o choro seco
do chamado...calado.

E a mão estendida,
já não mais esperançosa,
enxuga a água barrenta
Que escorre da face.

E levanta e anda e para.
Olha o caminho.
Recolhe suas tralhas
e a seca, com seus espinhos
vai espetando, machucando.
E o despejado
já não chora, guarda dentro de si
a dor, a fé, o nada.
Sozinho
seco.
Como um cacto.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ins'piração

Aonde esta ela?
Esconde-se por entre sombras
Cala-se e some
E deixa-me aqui, perdido por entre meus próprios caminhos.
São tantos que me perco...
Perco diante da sua ausência
De seu sumiço repentino
Sinto falta de seu conforto
De sua capacidade de tomar o mundo para si e aquecer a todos.
É um colo, um afago, um suspiro
É a manhã fria vista da varanda envidraçada
São minhas carências e vidências
Jogadas ao vento como pétalas
Mas você não esta...
Coloco-me numa busca fatal de seu encontro
De seu vestígio
De alguma pista que seja de seu refugio
Para que assim volte a abrir meus olhos como fazias
Para que volte a me fazer sorrir como fez
Para que assim volte a me dominar...como faz!
Mesmo que não estando aqui.
Mesmo com essa partida inesperada
Ainda persiste a busca e a espera
De seu retorno, de sua anunciação
Do seu andar por entre os ventos
E de sua presença aguardada
Ansiosamente...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Reflexões de agora que depois talvez não sejam.

O que seria o amor senão um travesti amargurado
Não sabe se é homem
Não sabe se é mulher
Olha-se em sua imagem
E vê um meio ser
Divide-se em dois seres em um
Contenta-se na inquietação
Na forma incomum
No desigual
No excêntrico
No desafiador
Na amargura de querer ter sido aquilo quando é isso

O amor é uma fantasia suja e rasgada em fim de festa
Cheirando a embriaguez e úmida de suor
E no lar
A fantasia é jogada no chão
Esquecida e inutilizada
Porem serve de conforto e alegria quando necessária

O amor é a fome pedindo passagem
É a dor no estomago e o barulho do corpo
É o ato inconseqüente da fome diante do prato

O amor acima de tudo é o ridículo
O ridículo alheio e o próprio
E amor e ridículo
Vagam por uma linha tênue da concepção
Entre o mundo real e imaginário

Assim como o ridículo é ter seios e um falo
O ridículo é ter que conviver com concepções do ridículo
O que é um falo, o que é um seio
O que é um corpo
O que é um ato
Uma escolha
Um caminho
Um desejo
Um delírio
Um gemido
Uma cama
Uma roupa
Um outro
O mesmo
O sentir
O que é o amor?
O que é essa coisa que nos deixa assim,um meio ser
O amor nos enche e nos torna meio.
O amor é ridículo e eu sendo ridículo tenho uma concepção de amor e de ridículo
Tenho meus poetas, meus desejos e meus quadros
E acima de tudo tenho dentro de mim
Do meio ser completo
O fato de estar na constante busca de uma resposta para aquilo
Que nem eu sei
Que eu não quero saber
Se é que existe.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Reality Show

Ô teresa
A igreja é presa
Com seu pão na mesa
Faz muito mais banquete pra padre gordo
Que merenda pobre pra menino magro.
Saúde, tomemos o vinho debaixo desse teto quente
Amém, diz o mendigo tomando sua pinga ao relento
Religionize-se, seja fiel, seda.
Antes q a chuva caia, parto pra não sujar o tecido.

domingo, 4 de julho de 2010

Diálogo a um

Qual seria a razão que move o mundo?
Que tem eu com o mundo?
E o que me faz querer saber a razão pela qual o mundo é regido?!
E infelizmente indestrutível.
A construção da sociedade, dos valores étnicos e éticos
O bom senso, o senso comum.
A poucos anos conheci o que é o mundo,
E a uns tantos mil, o mundo não conhece o que é o humano.
Ser de carne, osso, e malevolência
Ser mortal, que tem como meta e rotina querer ser deus.

O que seria deus senão então um profissional do riso

Observa e brinca lá de cima com os fantoches na terra.
E nos seres ínfimos e de boa vontade queremos insistentemente querer saber o que é deus e como ele criou o mundo.
Para que?
Qual o sentido?
Vamos fazer outro mundo, ou vamos criar novos humanos?
Quem sabe assim o futuro seria mais colhedor de boas ações.
Tantos querem e acham que são deus, acreditam fielmente na palavra e ações de alguém que já foi deus, que já foi cristo
Que já foi guru, que já foi rei
Todos acreditam, lêem, estudam e copiam.

Mas nunca vi ninguém mexendo no barro para ver se nasce de novo alguma coisa dele

Quem sabe não criamos do barro e não da robótica nossos futuros filhos.
Somos deuses e deusas não é mesmo?
Queremos ser o que não somos e mal conhecemos a nossa terra.
Nosso vizinho. Que deus não conhece o vizinho?
Conheça seus amigos e muito mais seus inimigos.
Táticas de guerra para virar deus.
Irônico?
Talvez sensato, um deus não morre, um deus tem poder
Um deus tem o mundo e todos em suas mãos.

Mãos essas que roubam, que copiam que destransformam
E que no final do dia em frente ao espelho fecha os olhos,
Se irrita com uma espinha, escova rapidamente os dentes, reclama das costas e se poe a dormir encolhido de frio e fome.
Quem sabe um dia ele não terá a sua chance.