segunda-feira, 12 de julho de 2010

Reflexões de agora que depois talvez não sejam.

O que seria o amor senão um travesti amargurado
Não sabe se é homem
Não sabe se é mulher
Olha-se em sua imagem
E vê um meio ser
Divide-se em dois seres em um
Contenta-se na inquietação
Na forma incomum
No desigual
No excêntrico
No desafiador
Na amargura de querer ter sido aquilo quando é isso

O amor é uma fantasia suja e rasgada em fim de festa
Cheirando a embriaguez e úmida de suor
E no lar
A fantasia é jogada no chão
Esquecida e inutilizada
Porem serve de conforto e alegria quando necessária

O amor é a fome pedindo passagem
É a dor no estomago e o barulho do corpo
É o ato inconseqüente da fome diante do prato

O amor acima de tudo é o ridículo
O ridículo alheio e o próprio
E amor e ridículo
Vagam por uma linha tênue da concepção
Entre o mundo real e imaginário

Assim como o ridículo é ter seios e um falo
O ridículo é ter que conviver com concepções do ridículo
O que é um falo, o que é um seio
O que é um corpo
O que é um ato
Uma escolha
Um caminho
Um desejo
Um delírio
Um gemido
Uma cama
Uma roupa
Um outro
O mesmo
O sentir
O que é o amor?
O que é essa coisa que nos deixa assim,um meio ser
O amor nos enche e nos torna meio.
O amor é ridículo e eu sendo ridículo tenho uma concepção de amor e de ridículo
Tenho meus poetas, meus desejos e meus quadros
E acima de tudo tenho dentro de mim
Do meio ser completo
O fato de estar na constante busca de uma resposta para aquilo
Que nem eu sei
Que eu não quero saber
Se é que existe.

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