Jogando com o pensamento
Correndo e sentindo na face
O barulho do vento
E na chuva
Lavando a alma, me corre no corpo gotas delicadas
Pego-as na mão e jogo-as novamente para o céu
Para que voltem.
E não fiquem aqui nesse corpo que não pertence a elas
Voltem...
Voltem de onde vieram
Não lavem esse mundo,
Ele não é digno de ser lavado
E de sua dança por entre as rupturas do solo,
Caminhos da rua,
Curvas do corpo.
Voltem e observem lá de cima
Nossa clemência,
Nossa fraqueza e nosso choro.
E depois vão embora e nos deixe aqui.
Levem tudo.
As nuvens,
O sol e também a lua.
Não iluminem esse espaço
Deixem-nos no breu
Perdidos,
Cegos de luz
Cegos de vida
E não olhem pra trás e nem escutem
Os gritos
As brigas
As mortes
O sangue.
Riam, batam palmas
Para o maior espetáculo
De milhões de palhaços reunidos!
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