Nasci do corpo e dele herdei
A capacidade de ser escuro
Chorei e envermelhei
E tive a capacidade de vociferar
A garra, a fome, o vômito
Colocar pra fora
Mijar.
Cagar.
Comer.
Colocar pra dentro, do pensamento
Do corpo
O invisível, o subjetil
A cultura.
O artista vomita sua cultura
Apodrecida, mofada.
Estraga dentro dele e gospe.
Não existe mais o porquê
Existe um mundo enorme, maior do que a barriga
Do que as tripas gosmentas, ensangüentadas
Que vim, a custo pro mundo
Não quero, não, não, não, não, não!
Eu não quero mais
Voltar, quero voltar
Escuro, sombrio, afeto
O humano é podre e dele eu vim
E por que quero voltar pra dentro dele?
Gira, ponta-cabeça, turbulência
Tontura, visão escura, rapidez
Estomago embrulhado, suor escorrendo, dor
Estou confuso.
Água.
Respira.
Bebe, fuma.
Tum, Tum, Tum...como o tempo, coração não para
E o tempurá na panela e o tempo lá na janela
Querendo sair, querendo que eu vá
Não posso
Não vou, não devo, planos, metas, obrigações
O mundo chama, vem!
Não posso, não devo, me pediram!
E o vento sopra e eu aqui dentro, não do corpo, do quarto.
Por que hein?
Porque somos livres, nus, inteligentes, aventureiros
E voar não nos é permitido.
Andar, pular, voar não.
Quero voltar, não sei se devo, quero voltar pra dentro.
Mergulho para o lugar que era eu.
Eu, eu, eu, eu, eu, ego.
Sombras, silêncios e afetos.