Qual seria o peso dos meus amores?
No tecido, a pele, as linhas da memoria entrecruzadas em esquinas, cantos, buracos de meu corpo.
Meu corpo sedento de sol, de calor que não queima, mas brilha, que cultiva botões, de linha e de linho.
De ninho, a minha casa-corpo abriga o rio Nilo de águas suadas, suores, choros, pus, sêmens salivas, semeadas.
Qual seria o amor que pesa mais?
Caminho desviando dos pelos do corpo, assim como pingos de chuva, brotos crescentes,
remanescentes de um primitivismo, herança perceptível.
Evocação, proteção, sedução, criação.
Reproduzir os traços, riscados infinitamente pelos ruídos do viver.
naturalmente, viver pesa
bagagem, conteúdos diários de pesos inimagináveis, talvez peso de pluma quando em toneladas.
Meus conselhos misturam-se com minhas unhas sujas de terra,
escondi um pouco de futuro em algum chão que gritava por ajuda.
Sentir o corpo, sofrer um pouco...
Qual seria?
Se fosse o amor visível, escureceria quando em pé, todos os cantos de nossos corpos
mas deitado, clareia, por deixar brilhar quem é feito de sol
Amor é para ser horizontal.
Mas pesa.
Todo tecido quando muito, pesa.
Toda ingenuidade, quando muito, ama
(sobre nós)
Soube hoje, que não carrego todo o peso do mundo
mas uma partícula do amor.
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