Um de nossos inúmeros problemas como seres humanos é a capacidade de falar muito e agir pouco. Pela simples lógica, e para isso não é necessário ser nenhum estudioso, de que para falar você não precisa necessariamente sair da sua confortável cadeira, você só precisa abrir a boca e despejar todo o vasto conhecimento ou as vastas abobrinhas. Com todo respeito para com as abobrinhas, que por sinal são muito mais bonitas e palativas do que as coisas que costumamos ouvir por ai. Para agir, aí sim eu digo a vocês, temos um abismo de distância para com realidade que temos. Se agíssemos para com tudo que falássemos, ou o mundo já estaria o eterno paraiso, ou o completo caos. O ato de críticar sempre esteve ligado aos prazeres do ser humano, imagino aqui que a relação com qualquer outro ser humano é crítica, no sentido de elogiar ou menosprezar tais pessoas. Sua melhor amiga é sua melhor amiga porque a sua outra amiga não detêm todas as qualidades do que você supõe que deva ter para estar no status de melhor amiga. (Quanta repetição hein, este é o momento em que você continua lendo o texto ou me critica e passa para outras coisas que talvez sejam mais adeptas ao seu gosto.) Enfim, a crítica é sempre um ponto muito delicado de se discutir, muitas vezes causadora de contradições e brigas, de término de amizades, de um calor maior nas discussões, mas um ponto que acho que passou da conta do delicado e está beirando a indelicadeza é a critica como forma de manifestação para tudo. Virou uma espécie de consolo, que adjunto com as novas tecnologias virou um despejo de palavras imediatas, como uma espécie de diário aberto. O que realmente é, facebook, o antigo orkut, twitter e afins são nada mais que uma espécie de diário aberto onde colocamos nele nossas fotos, nossas musicas, frases prediletas e o perigo maior, nossas opiniões. Digo perigo maior pois diferente dos antigos diários que ficavam guardados debaixo da cama, que não saiam de dentro da mochila ou escondidos em algum lugar do quarto viraram o oposto, o segredo é revelado, não é mais guardado a sete chaves (na verdade era por um pequeno cadeado de fragilidade precária) e sim exposto aos sete ventos. Interessante essa mudança não é mesmo? gostaria de entender mais sobre psicologia para tentar entender essa relação de hoje, das pessoas se sentirem fortes o suficiente, poderosas o suficiente para retirar o ato do exclusivamente Meu, para o Universal. Para não fugir do assunto, o que venho a pensar sobre isso, é que a medida em que crescemos tecnologicamente, com informações hoje em milésimos de segundos de todos os cantos do mundo em um único aparelho celular que carregamos no bolso, fez com que as reclamações que antigamente eram feitas para os familiares no jantar ouvindo algum jornal da televisão, hoje se torna habitual a qualquer hora do dia. Há esse repasse de informações via mensagens, e-mails, twittadas, com isso a hierarquia do jornal televisivo e impresso caiu, na verdade hoje poderia ousar dizer que são os ultimos a dar as notícias. Ótimo, não precisamos mais ficar em casa para sabermos o que acontece no mundo, temos as informações em nosso bolso.
Então, matematicamente pensando, com uma tecnologia de ponta ao nosso alcance, aumentando o número de informações passadas, com o diferencial de que podemos agora dizer o que pensamos para um campo além do sofá de casa, somado ao número de pessoas que temos como amigos em nossa pagina que vão acompanhar, supostamente, nossos dizeres, é igual a uma avalanche de críticas a todo minuto. O tempo na internet é muito precioso, 10 segundos fazem diferença, 1 minuto de espera é desesperador, ficar sem internet é um membro que nos é retirado. Essa rapidez que nos é facilitadora, também é a que nos atormenta, na verdade a que me atormenta. Quanto mais rápida a notícia for veiculada, mais pessoas vão ficar sabendo, pois 1 minuto depois você corre o risco de ser o atrasado. Muito bem, mas o que isso tem a ver com a crítica a que me referia logo no começo do texto? Tudo. Pois todos esses aspectos implicaram em um ser humano sedento por escrever, sedento por dar a sua opinião, mas convenhamos, sendo bem direto, de onde vem essa crítica? O que a pessoa sabe sobre tal assunto? Talvez eu esteja sendo crítico demais, afinal participo dessa geração "I-Pad" não é mesmo?!...Existe sim pessoas detentoras de um vasto conhecimento sobre o assunto criticado, mas são poucas e em geral dizem muito superficialmente sobre o assunto, afinal se estender demais no seu comentário ou publicação faz com que as pessoas não se interessem pelo que você escreveu, vai gastar muito tempo lendo e como eu disse, tempo é precioso nas redes sociais. Mas a grande maioria é vamos dizer aqui, leigas nos assuntos criticados, é um juizo de gosto, um achismo determinado apenas pelo que me convém e pelo que tenho como verdade e cultura. Escrevendo assim parece que eu estou apoiando a censura, estou colocando em jogo o que levamos anos para conseguir, a tão falada liberdade de expressão, negando o direito do ser humano expressar suas opiniões. Absolutamente, não. Creio que temos hoje uma ferramenta que nos é muito preciosa e que esta sendo usada de maneira banal, como se fosse um muro de lamentações virtual, um despejo de idéias, um poço no qual tudo se pode. E não é assim, a crítica quando feita tem que ser baseada em estudos ou pelo menos vivências plausíveis para que se coloque em foco a veracidade daquilo que você escreve. E mesmo que tenha todo o conhecimento e se critique de maneira correta, tem que existir um respeito para com o outro. Pois alem da critica utilizada nas redes sociais de maneira muito constante, parece que há uma necessidade de se criticar o outro. Virou uma guerra, onde cada um quer tomar como verdade aquilo que se pensa, é uma relação egoísta, colocando como errado o que outras pessoas gostam.
É o problema do diário, nele escrevo tudo que quero e que penso. O problema é que ficamos com um vício de escrever tudo que queremos, não importa o assunto iremos escrever sobre ele, uma pena que com isso mais da metade do conteudo colocado nas redes sociais seja banalidades do tipo, estou com sono, frio, fome, desejo, odeio tal tipo de musica, filme, time de futebol, para coisas bem delicadas e preconceituosas como odeio pobre, odeio tal etnia, odeio tal opção sexual. Eu não desejo as redes sociais somente com discussões academicistas, com páginas de conteudo rebuscado, desejaria uma rede social mais limpa, mais poética, mais musical, mais respeitosa, com muitas criticas sim, afinal é a discussão que nos leva ao conhecimento, porém críticas abertas para se ouvir o outro lado. Afinal porque essa necessidade de colocar para o mundo todo saber que eu odeio tais tipos de coisas? Daí meus queridos leitores (mãe, pelo menos você eu sei que vai ler até o final) existe o que comecei o texto, o falar é mais facil do que o agir, do que o estudar, do que a experimentação. Achar que uma coisa é melhor que a outra porque você vive tais acontecimentos, é ridiculo. Cada um é diferente em seus gostos e felicidades, em suas ações e verdades, fazer com que uma pessoa mude seus gostos ou criticar apenas pelo fato do eu não gosto do que ele gosta, beira a infantilidade, um primitivismo, época dos coronéis, ditadura, e todas as épocas onde o imperialismo reinava sobre a liberdade e a escolha individual. Termino meu texto dizendo que se as pessoas resolvessem criticar mais racionalmente e não impulsivamente, ou resolvessem respeitar mais o outro, estaríamos mais próximos de uma realidade um pouco melhor, usaríamos essa ferramenta para avançarmos em certos assuntos (como raramente acontece) ao invés de patinarmos ou afundarmos como acontece todos os dias. A frase mais utópica deste texto será a ultima, para complementar o que me referi logo no inicio do texto, se ao invés de só criticarmos colocássemos em prática o que pensamos (aqui me refiro as criticas boas) a sociedade, talvez utópica, poderia dar seus primeiros passos...afinal, falar que a fome existe e jogar comida fora é facil, e como já diria um ditado, pode encher sua piscina, mas não esvazia minha bacia.
Muito interessante a postagem. Do ponto de vista da psicologia, uma pessoa que critica demais outras pessoas ou outras idéias, pode ter na verdade aquilo como um traço seu e estar negando-o; e ao ve-lo no outro, rechaça. É projeção. É o popular "quem desdenha [demais], quer comprar".
ResponderExcluirAs redes sociais só potencializaram essa lado humano negativo.